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Archive for the ‘livros’ Category

será o Outono?

Senhor: é mais que tempo. O Verão foi muito intenso.

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol

e por sobre as pradarias desata os teus ventos.

Ordena às últimas frutas que fiquem maduras;

dá-lhes ainda mais uns dois dias de calor,

leva-as à completude e não deixes de pôr

no vinho pesado sua última doçura.

Quem não tem casa, não a irá mais construir.

Quem está sozinho, vai ficá-lo ainda mais.

Insone, há-de ler, escrever cartas torrenciais

e correr as aléias num inquieto ir-e-vir

enquanto o vento carrega as folhas outonais.

Rainer Maria Rilke, retirado de Mulher procura homem impotente para relacionamento sério

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Sonho com tardes em assentos confortáveis, em sombras acolhedoras de árvores ou guarda-sóis, de livro na mão, a devorar páginas e capítulos, sem preocupações de horas, de compromissos ou sequer do escurecer ou do levantar da brisa norte.

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cativar

“- Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Não estou presa…(…)

O que é que «estar preso» quer dizer?
– É uma coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa.
– Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
– Laços?
– Sim, laços – disse a raposa. – Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me prenderes a ti, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passo a ser única no mundo…
– Parece-me que estou a começar a perceber – disse o principezinho.
– Sabes, há uma certa flor… tenho a impressão que estou preso a ela…
– É bem possível – disse a raposa. – Vê-se cada coisa cá na terra…
(…)
– Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me prenderes a ti, a minha vida fica cheia de Sol. Fico a conhecer uns passos diferentes de todos os outros passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo não me serve para nada. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando eu estiver presa a ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de gostar do barulho do vento a bater no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
– Por favor… prende-me a ti! – acabou finalmente por dizer.
– Eu bem gostava – respondeu o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos para descobrir e uma data de coisas para conhecer…
– Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
– E o que é que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
– É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto…
O principezinho voltou no dia seguinte.
– Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito… São precisos rituais.
(…)
Foi assim que o principezinho prendeu a si a raposa. E quando chegou a hora da despedida:
– Ai! – Exclamou a raposa – Ai que me vou pôr a chorar…
– A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu bem não queria que te acontecesse mal nenhum, mas tu quiseste que eu te prendesse a mim…
– Pois quis – disse a raposa.
– Mas agora vais-te pôr a chorar! – disse o principezinho.
– Pois vou – disse a raposa.
– Então não ganhaste nada com isso!
– Ai isso é que ganhei! – disse a raposa. Anda, vai ver outra vez as rosas. Vais perceber que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…
– O essencial é invisível para os olhos – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
– Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
– Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
– Os homens já se esqueceram desta verdade – disse a raposa. – Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa…
– Sou responsável pela minha rosa… – repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.”
“O Principezinho” – Antoine de Saint Exupéry

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trouxeste o teu?

Já houve dias em que não saía de casa sem um livro, na carteira ou no banco de trás do carro.

Depois passei a substituí-lo por uma revista que levava comigo ou que comprava numa qualquer tabacaria.

Noutros dias o tamanho dos livros desencorajava-me carregá-los para todo lado, quando suspeitava que não haveria oportunidade para os abrir.

Agora, a preguiça tem-me afastado dos livros, fora e dentro de casa.

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o segredo (iii)

Quanto a mim, eu preciso de tirar o não dos meus pedidos.

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o segredo (ii)

A propósito da hierarquia das vontades, da força do muito querer e do poder da vontade, lembro-me sempre da estória do senhor que queria muito um carro e queria muito uma casa e todos os dias ele mentalizava e visualizava, uma casa, um carro, sem se decidir.
Um dia, ganhou uma auto-caravana num sorteio.

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o segredo

Do que li até agora do livro da moda estou a achar um aborrecimento do início ao fim.
Um segredo maravilhoso daqueles merecia ser escrito de outra forma. Ou então, não.
Há realidades que não são transponíveis por escrito, é preciso vivenciar, sentir, experimentar.
Eu só queria não me esquecer tantas vezes da prática. É mais fácil ceder e deixarmo-nos derrotar.

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